Segurança Digital

América Latina vira alvo de nova campanha de ciberespionagem ligada ao FamousSparrow

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A América Latina entrou de vez no radar de grupos avançados de ciberespionagem. Uma nova investigação da ESET Research revelou que o FamousSparrow, grupo alinhado aos interesses da China, passou a concentrar grande parte de suas operações na região e adotou uma nova ferramenta para esses ataques: o SparroWocky.

Segundo a pesquisa, essa mudança de foco começou, no mais tardar, em julho de 2025. Entre meados de 2025 e 2026, 90% dos alvos do grupo registrados pela telemetria da ESET estavam na América Latina.

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A lista inclui entidades governamentais da Argentina, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Peru, Porto Rico e Venezuela. É uma concentração incomum para grupos APT alinhados à China acompanhados pelos pesquisadores, que normalmente distribuem suas operações entre diferentes regiões do mundo.

O novo arsenal do FamousSparrow

O SparroWocky começou a ser observado em agosto de 2025 e rapidamente substituiu o SparrowDoor, malware utilizado anteriormente pelo FamousSparrow.

Apesar da troca de nome que parece saída de algum universo paralelo de Pokémon, não estamos falando apenas de uma atualização do malware antigo.

Segundo a ESET, trata se de uma família diferente de backdoor, desenvolvida em C++ e criada com forte preocupação em permanecer escondida dentro dos sistemas comprometidos.

Na prática, depois de instalado, o SparroWocky oferece aos operadores um conjunto bastante amplo de recursos para espionagem. Ele consegue coletar informações da máquina, executar comandos, manipular arquivos, capturar telas e retirar informações do computador infectado.

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Também pode funcionar como proxy para outras conexões e executar componentes adicionais diretamente na memória. Isso aumenta a flexibilidade dos operadores e ajuda a dificultar a detecção da atividade maliciosa.

A análise técnica da ESET encontrou ainda mecanismos criados especificamente para confundir ferramentas de segurança e esconder determinadas atividades do malware.

Para quem administra a infraestrutura atacada, portanto, o problema não é apenas descobrir a invasão. É descobrir uma invasão projetada para parecer que não está acontecendo.

Por que a América Latina?

É aqui que a história deixa de ser apenas sobre malware.

A ESET avalia que a concentração das operações na América Latina provavelmente está relacionada ao aumento das disputas de influência entre China e Estados Unidos na região.

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Os pesquisadores citam interesses chineses construídos ao longo dos últimos anos em setores estratégicos como energia, mineração e telecomunicações.

Nesse cenário, comprometer redes governamentais pode fornecer informações privilegiadas sobre decisões políticas, econômicas e comerciais antes que elas se tornem públicas.

Um dos casos mencionados pela pesquisa envolve uma entidade do Panamá relacionada à disputa comercial em torno de dois grandes portos na região do Canal do Panamá.

Para os pesquisadores, o interesse nesse alvo pode estar ligado à tentativa de antecipar decisões das autoridades locais sobre o tema.

Ainda assim, a própria ESET ressalta que não é possível determinar se a América Latina se tornou uma área permanente de atuação do FamousSparrow ou se essa concentração é resultado do atual momento geopolítico.

Ciberespionagem encontra geopolítica

O FamousSparrow não surgiu agora. O grupo é considerado ativo desde pelo menos 2019 e já foi associado a ataques contra hotéis, governos, organizações internacionais, empresas de engenharia, grupos comerciais e escritórios de advocacia.

A diferença é o foco atual.

Quando quase todos os alvos observados de uma operação de ciberespionagem passam a se concentrar em uma mesma região, segurança digital deixa de ser apenas um problema do departamento de TI.

O SparroWocky mostra justamente essa interseção. Por trás de um malware tecnicamente sofisticado existe um objetivo muito mais tradicional: obter informação.

E, em um momento de crescente disputa por influência econômica e estratégica no continente, informações sobre o que governos latino americanos estão planejando podem valer muito mais do que qualquer computador comprometido.

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Felipe Ferraz

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.