Do amor ao golpe milionário, a distância pode ser de apenas algumas mensagens no WhatsApp. Foi assim que um grupo de quatro cidadãos de Gana, segundo promotores dos EUA, teria enganado centenas de vítimas, principalmente idosos e empresas americanas, em um esquema internacional de fraude que movimentou mais de US$ 100 milhões.
Os acusados Isaac Oduro Boateng (“Kofi Boat”), Inusah Ahmed (“Pascal”), Derrick Van Yeboah (“Van”) e Patrick Kwame Asare (“Borgar”) são apontados como membros de uma rede criminosa altamente estruturada. O grupo operava em duas frentes principais: romance scams e fraudes conhecidas como Business Email Compromise (BEC).
Nos romance scams, os golpistas criavam perfis falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens, fingindo interesse amoroso por vítimas vulneráveis, especialmente idosos. Depois de conquistar confiança, inventavam histórias de emergência ou oportunidades de investimento para convencer as vítimas a transferirem dinheiro.
Já nos golpes BEC, o alvo eram empresas. Usando domínios falsos e contas de e-mail comprometidas por malware ou ataques de credential stuffing, eles induziam executivos e departamentos financeiros a fazer transferências para contas controladas pelo grupo.
O dinheiro, claro, não ficava parado. Uma rede de contas e transferências internacionais lavava os valores, até chegar aos chamados “chairmen” líderes operacionais, como Boateng e Ahmed que distribuíam os lucros e coordenavam a logística.
Romance, e-mail e lavagem de dinheiro: a rede criminosa que enganou vítimas nos EUA
A caçada envolveu uma colaboração estreita entre os EUA e Gana. No dia 7 de agosto de 2025, três dos acusados (Boateng, Ahmed e Van Yeboah) foram extraditados para Nova York e apresentados ao juiz Robert W. Lehrburger. Patrick Kwame Asare segue foragido.
O processo, conduzido pelo juiz distrital Arun Subramanian, é pesado: conspiração e prática de fraude eletrônica, conspiração para lavagem de dinheiro, recebimento de valores roubados e outras acusações. As penas variam de 5 a 20 anos por acusação, dependendo do crime.
Para o procurador Jay Clayton, o recado é claro:
Golpistas no exterior devem saber que nós, o FBI e nossos parceiros, vamos atuar globalmente para combater fraudes online e levar os responsáveis à justiça.
O FBI foi além:
Enganar empresas com campanhas de e-mail fraudulento e tirar vantagem da solidão de idosos para roubar seu dinheiro é mais que ilegal é desprezível.
As investigações contaram com perícia técnica pesada: análise de IPs, rastreamento de criptomoedas em blockchain e estudo de metadados de comunicações comprometidas para mapear a estrutura da rede criminosa.
A cooperação de Gana, por meio do Economic and Organized Crime Office e da Cyber Security Authority, foi fundamental para as prisões, fortalecendo protocolos internacionais de assistência jurídica mútua.
Este caso é um lembrete: com o avanço de tecnologias como deepfakes e redes criptografadas, o crime online ganha novas armas, mas também enfrenta uma repressão cada vez mais global e coordenada.
Os acusados permanecem inocentes até decisão judicial final, mas já deixaram claro que, na era da cibercriminalidade, fronteiras geográficas não são escudo contra a lei.







