Segurança

Seu mouse pode estar te ouvindo e isso não é teoria da conspiração

Você já teve a sensação de que o celular está te ouvindo? Pois é, talvez você devesse se preocupar mais com o seu mouse.

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Não, isso não é uma piada de 1º de abril nem uma teoria do Reddit. Pesquisadores criaram um método chamado Mic-E-Mouse que transforma mouses comuns desses que a gente compra por menos de R$ 250 em ferramentas de espionagem capazes de captar conversas com uma precisão absurda.

Sim, um mouse. Aquela coisa que você mexe o dia todo sem pensar.

Como um mouse escuta alguém?

A “mágica” acontece por causa dos sensores ópticos de alta performance usados para rastrear movimentos com precisão. Esses sensores também conseguem detectar micro vibrações na superfície da mesa as mesmas vibrações geradas quando alguém fala.

Claro, o que eles capturam é um sinal ruim, cheio de ruído. Mas com a ajuda de inteligência artificial e processamento de sinal, os pesquisadores conseguiram transformar esse borrão sonoro em palavras compreensíveis.

Os resultados são assustadoramente bons

Nos testes, os cientistas conseguiram:

  • Identificar quem estava falando com 80% de precisão.
  • Reconstruir conversas com menos de 17% de erro.
  • Capturar frequências de voz entre 200Hz e 2000Hz, que cobrem a maior parte da fala humana.

E tudo isso com equipamentos que qualquer pessoa pode comprar em uma loja online.

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Onde entra o risco real?

A ideia não é colocar um espião atrás da sua cadeira, mas sim dentro do seu próprio computador. O ataque pode ser disfarçado em apps de desenho, jogos, programas criativos qualquer software que já usa dados do mouse de forma legítima.

Você instala o app, tudo parece normal. Enquanto isso, ele coleta dados das vibrações captadas pelo mouse. Nenhum aviso, nenhuma lentidão, nenhum comportamento estranho.

Esses dados são enviados discretamente para alguém do outro lado da conexão, que então processa e reconstrói o que foi dito na sua frente. Sem esforço, sem barulho e sem precisar ativar câmera nem microfone.

A privacidade foi pro espaço e ninguém percebeu

O que essa pesquisa escancara é uma nova fase do jogo: onde até o periférico mais banal pode virar canal de espionagem.

A gente já aprendeu a desconfiar de câmeras, microfones, links maliciosos. Mas ninguém estava olhando pro mouse. E é aí que mora o problema. Porque agora, o ataque não precisa ser sofisticado só criativo o bastante para usar o que já está na sua mesa.

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A fronteira entre o que é um gadget funcional e o que é uma ferramenta de vigilância invisível ficou um pouco mais borrada.

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Felipe F

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.