Segurança

WAF: o que é e por que seu site precisa disso

Bom caros leitores(a) hoje praticamente tudo que a gente faz passa por algum tipo de aplicação web, seja um e-commerce, um painel interno da empresa, um app de banco ou até aquele sistema simples de login do site da faculdade.

Só que, por trás dessa interface bonitinha, em alguns casos podem ter um monte de brecha que hackers mal intencionados amam explorar, e é aí que entra o tal do WAF como uma camada extra de proteção. Pensa nele como um porteiro de prédio muito chato, que checa cada pessoa que quer entrar e barra quem chega com atitude suspeita antes mesmo de encostar na porta do apartamento.

Continua depois da publicidade

O que é WAF em segurança

O negócio é o seguinte: WAF significa Web Application Firewall, ou firewall de aplicação web, uma solução feita para monitorar, filtrar e bloquear tráfego malicioso que tenta acessar um site, sistema web ou API.

Diferente de um firewall tradicional de rede, que olha portas, IP e protocolo, o WAF trabalha lá em cima, na camada de aplicação, analisando requisições HTTP e HTTPS com muito mais detalhe. Em português bem claro, ele não só vê “quem está falando”, como também “o que essa pessoa está tentando dizer” para o seu servidor.

Na prática, o WAF fica entre a internet e a aplicação, atuando como intermediário de todas as requisições que chegam ali. Cada clique, formulário enviado ou chamada de API passa por essa camada antes de chegar no código de fato, e o WAF decide se aquilo é legítimo ou se parece tentativa de ataque.

Como funciona um Web Application Firewall na prática

Para entender o WAF, pensa numa revista de segurança na entrada de um show, só que digital. Toda requisição é “revistada” por um conjunto de regras, também chamadas de políticas, que definem o que é permitido e o que é bloqueado. Portanto, o WAF analisa cabeçalhos, URL, parâmetros, cookies e até o corpo da requisição para procurar padrões de ataques conhecidos.​

De forma bem simplificada, o fluxo é mais ou menos assim.

Continua depois da publicidade
  • A requisição chega no WAF antes de tocar no servidor da aplicação.​
  • Ele inspeciona conteúdo, estrutura e comportamento da requisição em tempo real.​
  • Compara isso com regras de segurança, assinaturas de ameaças e parâmetros customizados.​
  • Decide se libera, bloqueia ou desafia o usuário, por exemplo pedindo um CAPTCHA ou autenticação extra.​
  • Registra o evento e pode disparar alertas para a equipe de segurança acompanhar o que está rolando.​

Essa atuação em tempo real é importante porque o WAF consegue reagir rapidamente a ataques que estão acontecendo naquele momento, reduzindo muito a janela em que o sistema fica exposto. E como as políticas são configuráveis, dá para ajustar o nível de proteção sem “destruir” a experiência dos usuários legítimos.​

O que um WAF protege de verdade

Agora vem a parte que a galera sempre pergunta: “beleza, mas ele protege contra o quê exatamente?”. A ideia do WAF é ser uma camada especializada em ataques típicos de aplicação web, não de rede. Ele é muito usado para mitigar vulnerabilidades listadas no OWASP Top 10, que é como se fosse um ranking dos piores riscos em aplicações web.​

Alguns exemplos de ataques que um WAF costuma ajudar a segurar.​

  • SQL Injection, quando o atacante tenta enfiar comandos maliciosos em campos de formulário ou parâmetros da URL para manipular o banco de dados.​
  • XSS (Cross Site Scripting), quando scripts são injetados na página para roubar dados ou manipular a sessão dos usuários.​
  • CSRF e SSRF, em que requisições são forçadas ou desviadas para explorar falhas em serviços internos.​
  • Upload de arquivos maliciosos e exploração de falhas em APIs expostas na internet.​

É importante lembrar que o WAF não foi feito para resolver todo tipo de ataque possível, ele foca na camada de aplicação. Por isso, ele complementa outras proteções como firewall de rede, IDS e soluções de proteção contra DDoS em vez de substituir tudo sozinho.​

Tipos de WAF e jeitos de usar

Na vida real, você não tem “um WAF genérico”, existem vários modelos de implementação que se encaixam em cenários diferentes. Em empresa pequena, muitas vezes entra um serviço em nuvem, já em ambiente mais complexo pode ter WAF dedicado ou integrado a outros appliances de segurança.​

Continua depois da publicidade

Os tipos mais comuns de WAF hoje são estes.​

  • WAF em nuvem, oferecido como serviço, em que o tráfego passa pelos servidores do provedor antes de chegar na aplicação, muito usado para proteger aplicações expostas na internet de forma rápida.​
  • WAF dedicado ou appliance, instalado no próprio ambiente da empresa como dispositivo físico ou virtual, com mais controle sobre integrações e políticas internas.​
  • WAF integrado em plataformas de edge e CDNs, combinando cache, mitigação de DDoS e inspeção de tráfego de aplicação na mesma camada de borda.​

Além disso, os WAFs podem trabalhar com modelos de segurança diferentes, como lista de bloqueio, lista de permissão ou um modelo híbrido. No modelo de bloqueio, tudo é permitido até bater em um padrão de ataque conhecido, enquanto no de permissão só passa o que foi previamente autorizado, e o híbrido mistura os dois para equilibrar proteção e usabilidade.​

Quando faz sentido usar um WAF

Sem sombra de dúvidas, se você tem qualquer aplicação acessível pela internet lidando com dados sensíveis ou processos importantes, WAF não é luxo, é necessidade. Isso inclui desde lojas virtuais e áreas de login até painéis administrativos publicados em subdomínios que muita gente acha “escondidos” mas que atacante encontra em segundos.​

Algumas situações em que o WAF ajuda demais.​

  • Quando o time de desenvolvimento não consegue corrigir todas as vulnerabilidades rapidamente e é preciso uma camada de “patch virtual” para reduzir o risco enquanto o código não é ajustado.​
  • Em cenários de alta exposição como campanhas de marketing, datas sazonais e grandes lançamentos, em que o volume de acessos e tentativas de exploração disparam.​
  • Em ambientes com microserviços e APIs espalhadas, onde cada endpoint vira um possível ponto de entrada e o WAF ajuda a centralizar políticas de proteção.​

No fim das contas, o WAF funciona como uma porta dos fundos vigiada, aquela que todo mundo esquece mas que é justamente onde o invasor vai tentar entrar.

Com uma boa configuração e monitoramento, ele vira uma camada essencial dentro de uma estratégia de segurança maior, trabalhando junto com desenvolvimento seguro, testes de vulnerabilidade e outras soluções de proteção.​

Publicidade

Felipe F

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.