Segurança Digital

Google alerta: computação quântica pode ameaçar segurança das criptomoedas antes do previsto

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Sem muito drama, mas também sem passar pano, o Google trouxe um alerta que o mercado de criptomoedas claramente não estava com pressa de encarar.

A computação quântica, que por anos ficou naquele limbo entre promessa e hype, começa a ganhar contornos mais práticos e, com isso, levanta uma preocupação direta sobre a segurança das blockchains atuais.

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O ponto central do estudo é simples de entender e difícil de ignorar: a proteção que sustenta praticamente todo o ecossistema cripto pode não ser tão resistente quanto se imaginava diante de máquinas quânticas mais avançadas.

O problema está na base da segurança

Hoje, redes blockchain utilizam criptografia de curvas elípticas para proteger transações e carteiras. Esse modelo funciona muito bem no mundo tradicional, onde quebrar esse tipo de criptografia exigiria um esforço computacional inviável.

O problema começa quando entra em cena o algoritmo de Shor, capaz de resolver exatamente o tipo de problema matemático que garante essa segurança. Em vez de tentar forçar a quebra, ele simplesmente encontra o caminho mais curto.

Durante muito tempo, a narrativa era confortável: seria necessário um computador quântico extremamente poderoso, algo distante da realidade prática. Mas essa conta mudou.

Menos recursos, mais risco

O estudo revisa estimativas anteriores e aponta que seriam necessários cerca de 1200 a 1450 qubits lógicos para comprometer a criptografia usada atualmente, além de milhões de operações quânticas.

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Ainda é complexo, mas já não é mais aquele cenário impossível que sustentava boa parte da tranquilidade do setor.

Outro ponto que chama atenção é o tempo necessário para executar esse tipo de ataque. Em alguns cenários, uma chave privada poderia ser derivada em menos de 30 minutos, podendo chegar a poucos minutos dependendo da evolução do hardware.

A janela de ataque durante transações

Um dos cenários mais críticos envolve o intervalo entre o envio e a confirmação de uma transação.

Nesse período, um atacante poderia capturar a chave pública, calcular a chave privada usando computação quântica e enviar uma transação concorrente antes da original ser validada.

Esse tipo de abordagem, conhecido como ataque em tempo de transação, transforma um processo considerado seguro em uma possível brecha explorável.

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Carteiras antigas entram no radar

O risco não se limita a transações em andamento. Carteiras com chaves públicas já expostas, endereços reutilizados e fundos esquecidos podem se tornar alvos prioritários. Quanto maior o tempo de exposição, maior a vulnerabilidade.

Além disso, carteiras associadas a chaves perdidas não podem ser atualizadas para novos padrões de segurança, o que aumenta ainda mais o risco em um cenário de evolução da computação quântica.

A resposta existe, mas não é simples

A alternativa mais viável é a adoção da chamada criptografia pós quântica, desenvolvida para resistir a esse novo tipo de ataque.

O problema é que implementar essa mudança em redes descentralizadas não é trivial. Exige coordenação global, atualização de protocolos e adaptação de usuários e desenvolvedores.

Na prática, é um processo lento, técnico e que dificilmente acontece da noite para o dia.

O risco ainda não é imediato, mas deixou de ser distante

Ataques quânticos ainda não fazem parte da realidade atual das criptomoedas. No entanto, o avanço das pesquisas indica que a distância entre teoria e aplicação prática está diminuindo.

O estudo do Google não aponta um colapso iminente, mas deixa claro que o tempo de preparação pode ser menor do que o esperado.

E, como costuma acontecer em tecnologia, quando o problema se torna visível para todos, normalmente já está mais avançado do que parece.

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Felipe F

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.