Privacidade

Detector de câmeras escondidas para hotéis usa IA e custa menos de US$ 7

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Você entra no quarto do hotel, deixa a mala no chão e começa a olhar ao redor. Televisão, despertador, detector de fumaça, tomadas, luminárias. Tudo parece normal. Até surgir aquela pergunta desagradável: será que existe alguma câmera escondida aqui?

O receio não é exatamente absurdo. Câmeras compactas podem ser incorporadas a objetos comuns e identificá las apenas olhando para o ambiente pode ser bastante difícil. Agora, pesquisadores querem transformar o próprio celular em uma ferramenta capaz de ajudar nessa tarefa.

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Uma equipe do Korea Advanced Institute of Science and Technology, o KAIST, em colaboração com pesquisadores da National University of Singapore e da Singapore Management University, desenvolveu o SweepLED, um detector de câmeras escondidas para hotéis com smartphone que combina LEDs, gravação de vídeo e inteligência artificial.

O detalhe que chama atenção está no custo. Segundo os pesquisadores, os principais componentes utilizados no protótipo custam menos de US$ 7, algo em torno de R$ 35,63 na cotação atual do dólar de 5,09.

Como funciona o detector de câmeras escondidas para hotéis com smartphone

Detector de câmeras escondidas.
Reprodução: Pesquisa Hide-and-sweep: Detecting concealed cameras via LED
illumination sweeps.

Detectores ópticos de câmeras escondidas não são exatamente uma novidade. Muitos equipamentos disponíveis atualmente utilizam luz para encontrar o reflexo produzido pela lente de uma câmera.

A lógica parece perfeita até você apontar um desses aparelhos para um quarto cheio de objetos.

Vidros, plásticos, metais, molduras e praticamente qualquer superfície brilhante também podem produzir reflexos. O detector encontra os pontos luminosos, mas frequentemente sobra para o usuário decidir se está olhando para uma lente escondida ou simplesmente para um pedaço de plástico brilhante.

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O SweepLED tenta resolver justamente essa parte. O protótipo utiliza um acessório instalado junto à câmera do smartphone. Nele estão posicionados 15 LEDs responsáveis por iluminar o objeto analisado a partir de diferentes posições enquanto a câmera do celular registra as mudanças nos reflexos.

Assim, o sistema não procura simplesmente alguma coisa que brilhe. Ele observa como esse brilho se comporta quando a iluminação muda.

SweepLED usa inteligência artificial para analisar os reflexos

Durante uma inspeção, o usuário aponta o smartphone para um objeto considerado suspeito e realiza a captura em três ângulos diferentes.

Os LEDs são acionados em uma sequência enquanto a câmera registra o comportamento das superfícies. O software posteriormente compara quadros capturados com os LEDs ligados e desligados.

Essa comparação permite separar melhor os reflexos produzidos pelo próprio sistema daqueles causados pela iluminação presente no ambiente.

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Também existe outro problema bastante óbvio: mãos humanas se mexem.

Se um detector de câmeras escondidas para hotéis com smartphone pretende realmente funcionar nas mãos de qualquer pessoa, exigir que o usuário fique completamente imóvel não seria exatamente uma grande estratégia de produto.

Por isso, o sistema também considera movimentos durante a captura e tenta identificar quais pontos continuam apresentando características compatíveis com uma lente.

O segredo está em observar como uma lente reage à luz

Encontrar um ponto brilhante é relativamente fácil. Determinar se esse ponto pertence a uma câmera é a parte complicada.

Superfícies curvas ou recuadas podem produzir reflexos capazes de confundir detectores convencionais. Uma lente, porém, apresenta mudanças específicas conforme a posição da fonte de iluminação é alterada. O SweepLED acompanha essas mudanças quadro após quadro.

O sistema utiliza um modelo de inteligência artificial que analisa informações espaciais e temporais presentes na sequência de imagens. Os possíveis candidatos são acompanhados enquanto os LEDs mudam de posição e o resultado é posteriormente verificado utilizando as três perspectivas capturadas pelo usuário.

Em outras palavras, a inteligência artificial não recebe apenas uma fotografia para decidir se encontrou uma câmera.

Ela analisa uma sequência inteira de comportamento óptico. É justamente essa diferença que permite ao sistema tentar separar uma lente real de objetos comuns que simplesmente refletem muita luz.

Detector de câmeras escondidas alcançou precisão acima de 93%

Para avaliar o SweepLED, os pesquisadores realizaram testes utilizando 30 objetos diferentes.

Desse total, 12 possuíam câmeras escondidas incorporadas. Outros 18 eram objetos comuns com características reflexivas, mas sem qualquer câmera instalada.

Essa segunda categoria é especialmente importante. Afinal, um detector que acusa qualquer objeto brilhante como câmera escondida seria ótimo para aumentar a paranoia e péssimo para resolver o problema.

Nos experimentos realizados com o smartphone sendo segurado manualmente, o SweepLED registrou precisão geral de 93,9%.

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Quando o equipamento permaneceu em uma configuração estática, a precisão chegou a 95,1%.

Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que o sistema consegue manter um desempenho elevado mesmo em situações nas quais o smartphone é segurado pelo próprio usuário.

Menos de US$ 7 em componentes

Outro aspecto importante do SweepLED está na simplicidade do hardware. O protótipo utiliza 15 LEDs e é conectado ao smartphone por meio de um acessório instalado na parte traseira do aparelho.

De acordo com a equipe responsável pelo projeto, os principais componentes necessários para construir o dispositivo custam menos de US$ 7. Isso não significa que um possível detector comercial custaria US$ 7.

Existe uma distância considerável entre o custo dos componentes utilizados em um protótipo acadêmico e o preço final de um produto colocado no mercado. Fabricação, desenvolvimento do aplicativo, distribuição, certificações e suporte inevitavelmente entram na conta.

Mesmo assim, o valor mostra algo importante: a tecnologia necessária para criar um detector desse tipo pode ser relativamente acessível.

E o smartphone faz boa parte do trabalho pesado.

Um detector barato não significa proteção absoluta

Os números apresentados na pesquisa são promissores, mas precisam ser interpretados dentro do contexto do experimento.

O SweepLED foi avaliado utilizando um conjunto específico de 30 objetos. Portanto, os resultados não significam que o dispositivo encontrará 93,9% de todas as câmeras escondidas existentes em qualquer hotel, apartamento ou imóvel de temporada.

Ambientes reais possuem inúmeras variáveis.

A posição da câmera, o tamanho e o formato da lente, obstáculos na frente do equipamento, iluminação, distância e até o material utilizado para esconder o dispositivo podem influenciar uma inspeção.

Por isso, um detector de câmeras escondidas para hotéis com smartphone deve ser entendido como uma ferramenta adicional de verificação, não como garantia absoluta de privacidade.

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Seu smartphone pode virar uma ferramenta de proteção à privacidade

Talvez o aspecto mais interessante do SweepLED não seja simplesmente encontrar câmeras.

A pesquisa mostra como sensores que já carregamos diariamente podem ganhar novas funções quando combinados com hardware barato e modelos de inteligência artificial especializados.

Nesse caso, a câmera do smartphone deixa de servir apenas para fotografar e passa a funcionar como parte de um sistema óptico de inspeção.

O usuário não precisa necessariamente entender como uma lente reage a diferentes posições de iluminação. O software tenta fazer essa interpretação automaticamente.

Essa abordagem também reduz um dos maiores problemas encontrados nos detectores tradicionais: os falsos alertas causados por superfícies reflexivas.

SweepLED pode tornar a inspeção de quartos mais acessível

Os próprios pesquisadores apontam hotéis e imóveis de aluguel por temporada como alguns dos cenários nos quais a tecnologia poderia ser utilizada. Faz sentido.

Uma ferramenta pequena, barata e conectada ao smartphone teria uma vantagem considerável sobre equipamentos profissionais que poucas pessoas carregariam durante uma viagem.

Ainda existe, porém, um caminho entre uma pesquisa acadêmica e algo que qualquer pessoa possa comprar, instalar no celular e utilizar antes de desfazer as malas.

O SweepLED demonstra que essa possibilidade é tecnicamente interessante e, principalmente, que não precisa exigir hardware extremamente caro.

Se a tecnologia conseguir manter resultados semelhantes em ambientes reais e com uma variedade muito maior de câmeras, poderemos chegar ao ponto em que verificar um quarto se torne tão simples quanto abrir um aplicativo, encaixar um pequeno acessório e apontar o celular para objetos suspeitos.

Não elimina a possibilidade de alguém tentar esconder uma câmera. Mas pelo menos deixa a brincadeira de espionagem um pouco mais difícil.

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Felipe Ferraz

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.