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Sites gerados por IA estão sendo usados em massa para roubo de dados

O que era para ser mais uma solução prática e democrática de tecnologia está se tornando uma dor de cabeça na segurança digital. Ferramentas de criação de sites com inteligência artificial, como o Lovable, estão sendo exploradas por cibercriminosos para acelerar campanhas de phishing, entrega de malware e roubo de dados sensíveis.

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Basta um prompt bem escrito e, em minutos, um site funcional, hospedado gratuitamente, está no ar com direito a design convincente, lógica de coleta de dados e páginas falsas imitando Microsoft, UPS, exchanges de cripto e muito mais. E o pior: tudo isso sem exigir nenhuma habilidade técnica do atacante.

O crime por trás dos cliques

Segundo a Proofpoint, milhares de URLs maliciosas hospedadas no domínio lovable.app têm circulado desde o início de 2025. Esses sites aparecem principalmente em campanhas de e-mail, disfarçados como mensagens corporativas legítimas atualizações de benefícios, arquivos compartilhados, autenticações da Microsoft, entre outros.

IA Lovable ataque cibernético phishing página de captcha.

Muitas dessas armadilhas começam com uma tela CAPTCHA convincente, que dá credibilidade e reduz a desconfiança da vítima. Depois disso, vem a página falsa de login, pronta para roubar credenciais, tokens de MFA e cookies de sessão.

Em fevereiro de 2025, uma campanha massiva usou essa tática para entregar páginas falsas da Microsoft a partir de e-mails com tema de compartilhamento de arquivos. Já em junho, outras campanhas se passaram por setores de RH, usando narrativas corporativas para enganar funcionários e coletar dados sensíveis.

Em outra frente, páginas falsas da UPS coletaram números de cartão e códigos SMS para autenticação, com os dados sendo enviados diretamente para canais no Telegram mostrando que os criminosos estão integrando plataformas modernas ao seu fluxo de ataque.

E tem mais: ameaças focadas em criptoativos também ganharam força. Sites se passando por airdrops e recompensas de plataformas como Aave redirecionavam usuários para interfaces Web3 que, na prática, conectavam carteiras e drenavam ativos.

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Malware em poucos cliques

As campanhas não se limitam ao phishing. Em julho, foram registradas iscas em alemão simulando empresas de software. Os links levavam a arquivos .rar hospedados no Dropbox com executáveis modificados, que ao serem abertos iniciavam o sideload de DOILoader e implantavam o trojan de acesso remoto zgRAT.

Página falsa da Microsoft criada no Lovable.

E tudo isso com disfarces altamente profissionais muitos roteados por serviços como Cookie Reloaded, dificultando a detecção em firewalls e filtros.

E o Lovable, o que fez?

Diante do aumento dos abusos, a empresa implementou algumas contramedidas, como detecção em tempo real durante a geração dos projetos e varredura automatizada para derrubar sites maliciosos. Segundo eles, centenas de domínios já foram removidos.

Além disso, prometem incluir monitoramento de contas e outras melhorias para conter o problema.

O problema, no entanto, vai além da plataforma. A facilidade de uso, o baixo custo (até 5 prompts gratuitos por dia) e o modelo de remixagem de projetos tornam esse tipo de ferramenta um prato cheio para atacantes. Em testes, a Proofpoint mostrou que ainda é fácil criar páginas maliciosas com linguagem manipulativa.

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Como se proteger desse novo tipo de ameaça?

O uso de IA no crime cibernético está ganhando força e rápido. Organizações precisam ajustar suas estratégias de segurança para identificar ameaças geradas por IA, algo que escapa dos filtros tradicionais.

Recomendações incluem:

  • Adotar listas de permissão para ferramentas de construção web
  • Monitorar domínios com padrões suspeitos, como lovable.app
  • Reforçar a educação de usuários quanto a iscas corporativas bem elaboradas
  • Investir em filtros de e-mail e SMS com detecção de padrões emergentes

Você consegue diferenciar um site legítimo de um gerado por IA para roubo de dados?

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Felipe F

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.