Segurança Digital

Segurança em nuvem: onde termina o papel do provedor e começa o seu

Migrar para a nuvem se tornou sinônimo de modernização. A promessa é clara: mais agilidade, escalabilidade e economia. Mas junto com essa flexibilidade vem uma dúvida recorrente afinal, de quem é a responsabilidade pela segurança dos dados e sistemas hospedados em ambientes cloud?
A resposta é direta: a responsabilidade é compartilhada. O provedor cuida de parte da estrutura, mas a segurança final depende também de você.

Entendendo o modelo de responsabilidade compartilhada

Quando você usa a nuvem, o provedor oferece infraestrutura, ferramentas e garantias de disponibilidade. Mas ele não gerencia como você as usa. É aí que entra o modelo de Shared Responsibility, adotado por empresas como AWS, Microsoft Azure e Google Cloud.

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Em resumo, o provedor é responsável pela segurança da nuvem, enquanto o cliente é responsável pela segurança dentro da nuvem.

Isso significa que a proteção física dos datacenters, redes e servidores é do provedor, mas a configuração de acesso, permissões, autenticação e gestão de dados é da sua empresa.

Onde o provedor atua

Os provedores de nuvem investem pesadamente em segurança. São camadas físicas e lógicas de proteção que vão muito além do que a maioria das empresas conseguiria implementar sozinha. Entre as principais responsabilidades deles estão:

  • Proteção da infraestrutura física (servidores, energia, refrigeração, acesso físico).
  • Segurança de rede e virtualização.
  • Monitoramento de tráfego e prevenção de ataques em larga escala.
  • Conformidade com normas e certificações internacionais, como ISO 27001, SOC 2, PCI‑DSS.

Essa estrutura é o alicerce da confiança no modelo cloud. No entanto, é importante entender que ela não cobre o uso indevido dos recursos e é aí que começa a sua parte.

O que é responsabilidade do cliente

Ao migrar para a nuvem, muitas empresas assumem que o provedor “cuida de tudo”. Esse é um equívoco comum. O cliente precisa configurar e proteger o ambiente de acordo com suas próprias políticas. Entre suas responsabilidades estão:

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  • Controle de identidade e acesso (IAM).
  • Criptografia de dados em repouso e em trânsito.
  • Definição de políticas de backup e recuperação.
  • Gestão de logs e monitoramento de eventos.
  • Atualização de sistemas e aplicações hospedadas.

Em resumo, o provedor fornece as ferramentas você decide como usá-las. Uma configuração incorreta de permissões, por exemplo, pode expor dados mesmo em um ambiente tecnicamente seguro.

A importância da configuração correta

Pesquisas recentes mostram que mais de 60% dos incidentes em nuvem são causados por erros de configuração. Pastas de armazenamento abertas, credenciais expostas e permissões amplas são os vilões mais comuns.

Ferramentas de automação ajudam, mas a chave está em processos: revisão periódica, política de acesso mínimo e controle de identidade centralizado.

Monitoramento e visibilidade contínua

A nuvem é dinâmica: instâncias sobem e descem, volumes são criados e descartados, e cada ação pode alterar a superfície de ataque. Por isso, monitoramento contínuo é essencial.

Soluções como CloudTrail (AWS), Defender for Cloud (Azure) e Security Command Center (Google Cloud) oferecem visibilidade e alertas de conformidade. O ideal é integrá-las a um sistema de observabilidade unificado, permitindo detectar comportamentos anômalos em tempo real.

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Compliance e auditorias em ambientes cloud

Adotar a nuvem não elimina a necessidade de conformidade. Pelo contrário, amplia o desafio. A responsabilidade por dados pessoais, regulada por leis como LGPD e GDPR, continua sendo do controlador ou seja, da sua empresa.

É fundamental entender onde os dados estão, quem tem acesso e quais logs comprovam conformidade. Muitos provedores oferecem recursos nativos para auditoria e trilha de auditoria, mas a obrigação de usá-los é do cliente.

O equilíbrio entre conveniência e controle

A nuvem trouxe velocidade, mas também complexidade. Quanto mais distribuído for o ambiente, maior o desafio de manter consistência nas políticas de segurança. O segredo está no equilíbrio: automatizar o que for possível, mas sem perder o controle humano sobre decisões críticas.

Boas práticas como autenticação multifator, gerenciamento centralizado de identidade e segmentação de redes virtuais são fundamentais para manter a segurança sem travar a operação.

A segurança na nuvem é uma parceria

O provedor garante a base, mas é a forma como você constrói sobre ela que define o nível real de proteção. Segurança em nuvem é um trabalho conjunto, e ignorar isso é o caminho mais rápido para incidentes evitáveis.

Em outras palavras: o provedor protege o prédio, mas as portas e cofres internos continuam sendo sua responsabilidade.

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Felipe F

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.