O acesso remoto deixou de ser luxo para se tornar padrão especialmente com o crescimento do trabalho remoto, ambientes híbridos e necessidade de manutenção fora do escritório. Mas essa conveniência vem com risco: o uso do protocolo RDP exposto à internet, muitas vezes sem as devidas proteções, virou um convite para invasores. E os números confirmam isso: nos últimos anos os ataques de força bruta a sessões RDP aumentaram significativamente.
O que é um ataque por força bruta via RDP?
Quando um sistema habilita RDP e escuta na porta padrão (3389) ou outra porta mal protegida, ele pode ser escaneado automaticamente por redes de bots. O invasor tenta diversas combinações de usuário e senha ou reutiliza credenciais vazadas até conseguir acesso. Sem limitações de tentativas, senhas fracas ou autenticação adicional, o sistema vira alvo fácil.
Por que os ataques de brute force aumentaram tanto?
Caros leitores, certamente alguns dos fatores que explicam o crescimento são:
- A rápida adoção de trabalho remoto expôs muitos servidores RDP previamente restritos a redes internas.
- Configurações padrão ou mal feitas: portas abertas, autenticação simples, ausência de VPN ou camada adicional de proteção.
- Automatização e botnets específicas para bruteforce de RDP: torna o ataque em escala, com milhares de tentativas por máquina por dia.
- Relação risco‑benefício: RDP dá controle direto da máquina, o que facilita sequência de ataques ou instalação de ransomware.
Quais os impactos para as empresas?
Quando o RDP é comprometido via ataque de força bruta, as consequências vão além de “um servidor fora do ar”: o invasor pode ter acesso completo à rede, movimentar‑se lateralmente, instalar backdoors ou até mesmo ransomware. O dano pode ser em dados, reputação, custos operacionais ou interrupção de serviços.
Como mitigar esse tipo de ataque
Você precisa adotar uma combinação de medidas técnicas, operacionais e de cultura:
Network‑Level Authentication (NLA) e autenticação forte
Habilite NLA no RDP, obrigue MFA (autenticação multifator) para acesso remoto e utilize senhas fortes com política de rotação.
Limitar exposição à internet
Evite que RDP fique diretamente acessível pela internet. Use VPN, jump servers ou portais bastion com controles de acesso. Bloqueie portas padrão e expõe apenas o necessário.
Monitoramento e alertas
Configure detecção de tentativas de login excessivas, origem de IPs suspeitos, horários incomuns. Ferramentas de SIEM e logs ajudam a identificar um ataque antes que ele cause estrago.
Segmentação de rede e privilégios mínimos
Mesmo que o invasor entre via RDP, a segmentação impede movimentação livre. Aplique princípio do menor privilégio para contas de RDP, mantenha sistemas atualizados e restrinja software permitido.
Automatização de bloqueios e whitelists
Use firewalls de próximo nível, rate‑limiting, mod_security ou outros sistemas de prevenção que bloqueiem ou retardem tentativas repetitivas.
Quando esse tipo de ataque acontece?
Os ataques de RDP devem estar entre os primeiros vetores que sua equipe de segurança avalia em ambientes híbridos ou remotos. Não é questão de “se vão atacar”, mas “quando”. Empresas com menos maturidade tendem a sofrer primeiro ou demorar mais para detectar o acesso. Ferramentas públicas como Shodan identificam milhares de instâncias RDP expostas.
Que ações rápidas você pode tomar hoje
- Audite quantas máquinas têm RDP habilitado e se estão com acesso direto à internet.
- Verifique se todas as contas que usam RDP exigem MFA.
- Bloqueie ou não utilize a porta 3389 diretamente exposta.
- Lance um teste interno para simular tentativas de login e ver como o sistema reage.
- Documente o plano de resposta a incidentes para o caso de um acesso indevido via RDP.
Ataque de brute force ao RDP
Não trate o RDP como “só uma ferramenta remota”. Ele é uma porta de entrada crítica para a sua rede. E quanto mais suas operações dependem dele, maior deve ser a sua atenção. Se sua empresa ainda permite RDP sem controles adequados, você precisa repensar suas políticas de segurança.







