Quando Sam Altman não está ocupado comandando a OpenAI e provocando reflexões sobre o futuro da humanidade, ele está metido em outro projeto ambicioso: a Worldcoin. E nessa terça-feira, 11 de dezembro, ele e o cofundador Alex Blania anunciaram uma transformação significativa no World App, durante o evento “Unwrapped”, direto da sede da empresa em São Francisco.
O app, que já vinha crescendo discretamente como uma carteira de identidade digital baseada em biometria, agora quer ser um super app. E com isso, ganhou dois novos braços: um sistema de mensagens criptografadas e uma infraestrutura financeira mais parruda, com direito a conta bancária virtual e pagamentos em criptomoedas, tudo em um único aplicativo.
Nada mal para um app que já passou de 40 milhões de downloads e tem quase metade disso com verificação biométrica via íris.
World Chat: mensagens com criptografia, verificação visual e um toque de paranoia digital
O novo recurso mais vistoso é o World Chat. Ele usa o protocolo XMTP para garantir criptografia de ponta a ponta segundo a própria empresa, com um nível de segurança que bate ou iguala o padrão do Signal. Mas o que realmente chama atenção é como a interface foi desenhada para lidar com um problema muito 2025: saber se você está falando com um humano ou com uma IA.
As mensagens ganham um balão azul se o usuário for verificado pelo sistema de escaneamento de íris, e cinza se não for. Isso cria um layer visual imediato de autenticidade algo bem útil num mundo em que deepfakes, vozes clonadas e textos convincentes gerados por IA estão por toda parte.
Como explicou Altman no palco, identificar indivíduos reais enquanto se protege a privacidade virou o novo dilema da era digital. E a proposta da World é oferecer um equilíbrio entre confiança e anonimato, o que soa bonito, mas depende diretamente da confiança no tal Orb, o dispositivo que escaneia íris para gerar o “World ID”.
O chat também conta com uma checagem das fotos de perfil: o sistema compara a imagem usada no app com o escaneamento feito pelo Orb armazenado localmente no aparelho. Tudo isso para dificultar a vida de quem tenta se passar por outra pessoa.
Ah, e dá pra enviar pagamentos em cripto direto pela conversa. Sem taxas.
Uma carteira digital com banco virtual e conversão automática para stablecoins
Se você pensou que o app virou um “Zap com Pix”, acertou pela metade. Porque o segundo grande upgrade do World App é sua infraestrutura bancária virtual. Agora ele permite que usuários em 18 países incluindo toda a América Latina, EUA, Japão, Coreia do Sul e outros tenham uma conta bancária conectada ao app.
Esse sistema, fornecido pela Bridge (subsidiária da Stripe), aceita depósitos diretos e faz conversões automáticas para USDC, uma das stablecoins mais estáveis do mercado. Isso significa que o dinheiro pode cair na conta como salário e virar cripto em segundos, sem precisar de uma corretora no meio do caminho.
O app suporta mais de 100 ativos digitais, incluindo Bitcoin encapsulado, Ethereum e até ativos do mundo físico tokenizados, como ouro. Com isso, o World App passa a oferecer uma experiência financeira global, que funciona dentro do mesmo aplicativo onde você se comunica, verifica sua identidade e claro compartilha figurinhas com segurança.
Por que tudo isso agora?
Tiago Sada, diretor de produto da World, resumiu a motivação, os usuários queriam mais funcionalidade social. E a empresa ouviu. Com isso, o World App tenta ocupar o espaço de uma carteira digital que também é canal de comunicação, vamos citar um exemplo é como uma mistura de WhatsApp, Nubank, MetaMask e Signal. Ambicioso? Com certeza. Viável? Depende da adoção e, claro, da confiança nas tecnologias envolvidas.
Vale lembrar que o World App já se tornou a carteira digital mais usada do mundo em usuários ativos mensais, segundo a SensorTower, com mais de 850 milhões de transações processadas até dezembro de 2025. Um crescimento impressionante, se considerarmos que no fim de 2024 esse número era de 150 milhões.
E para completar, a empresa ainda anunciou que um World Card, com função de pagamento por aproximação, será lançado no primeiro trimestre de 2026. O objetivo é bem claro: transformar o World App em uma solução completa para quem quer viver em um sistema financeiro alternativo, verificado e (supostamente) à prova de IA.
Identidade digital e o futuro da verificação: você usaria?
A espinha dorsal de toda essa operação ainda é a biometria. O sistema depende do Orb, aquele dispositivo redondo que escaneia sua íris e rosto para criar um ID digital único. Esse processo leva cerca de 30 segundos, segundo a empresa. Para escalar a tecnologia e atender mais pessoas fora dos grandes centros, a World lançou em maio de 2025 os Orb Minis, versões portáteis do scanner.
O plano de Altman é ousado: verificar um bilhão de pessoas. Sim, com escaneamento de íris. E para isso, transformar o World App em um super app parece ser o passo natural. Afinal, ninguém quer baixar três aplicativos diferentes para conversar, receber salário e converter cripto se tudo isso puder acontecer em um só lugar, com segurança e verificação, melhor ainda (na teoria).
Mas aí vem a pergunta que não quer calar: você se sentiria confortável em entregar seus dados biométricos em troca de praticidade digital?







