Segurança Digital

Grupo Lazarus usa vaga falsa e falha zero-day no Windows

Continua depois da publicidade

Uma nova onda de ataques cibernéticos orquestrada pelo infame grupo hacker Lazarus, vinculado à Coreia do Norte, colocou em alerta máximo profissionais de infraestrutura e segurança da informação em todo o mundo.

Descoberta por pesquisadores da Check Point Research, a campanha combina táticas sofisticadas de engenharia social com a exploração de uma vulnerabilidade no windows de nível zero-day.

Continua depois da publicidade

O principal alvo dessas operações foca no setor aeroespacial e de defesa, englobando organizações localizadas em países como França, Alemanha, Índia e Brasil.

Historicamente conhecida como Operação Dream Job, a estratégia do grupo baseia-se na abordagem direta de profissionais do setor de tecnologia e engenharia por meio de perfis falsos em redes corporativas.

Os atacantes criam ofertas de emprego altamente atraentes, simulando processos seletivos para grandes empresas internacionais do setor de tecnologia e defesa. Porém, por trás da promessa profissional, oculta-se um ecossistema complexo de malwares projetado para penetrar em redes corporativas altamente protegidas.

A mecânica da Engenharia Social na Operação Dream Job

A abordagem inicial dos invasores ocorre predominantemente via LinkedIn e aplicativos de mensagem instantânea, onde recrutadores fictícios estabelecem contato com os alvos.

Após conquistarem a confiança dos profissionais, os criminosos enviam arquivos compactados contendo supostos testes técnicos ou descrições detalhadas da oportunidade de trabalho.

Continua depois da publicidade

No entanto, o arquivo fornecido carrega leitores de PDF adulterados, como o chamado SecurityPDF, desenvolvido a partir de bibliotecas de código aberto.

Ao abrir o documento no leitor infectado, o usuário visualiza uma proposta real de empresas renomadas, como a Lockheed Martin ou a Enveil. Paralelamente, o software executa um ataque de carregamento lateral de biblioteca (DLL sideloading).

Esse processo instala silenciosamente o downloader em memória denominado MISTPEN, que inicia o mapeamento do sistema infectado e estabelece comunicação direta com a infraestrutura mantida pelos invasores.

A exploração técnica da vulnerabilidade no Windows

O aspecto mais alarmante reportado pelos analistas reside na utilização de uma falha de escalação de privilégios locais previamente desconhecida. Identificada como CVE-2026-68820, essa vulnerabilidade afeta o driver afd.sys do Windows, responsável pela gestão de soquetes de rede no kernel do sistema operacional. Certamente, essa escolha tática reflete a alta capacidade de desenvolvimento do grupo Lazarus para burlar proteções tradicionais.

Através de uma condição de corrida do tipo use-after-free, o exploit permite que um processo sem privilégios especiais atinja o nível SYSTEM, concedendo acesso total à máquina afetada.

Continua depois da publicidade

A partir dessa elevação, os invasores ganham capacidade para instalar artefatos mais agressivos, manipular serviços internos e desabilitar ferramentas de detecção e resposta em endpoints (EDR).

  • Vulnerabilidade Explorada: CVE-2026-68820 no driver afd.sys do Windows.
  • Impacto Principal: Elevação local de privilégios para o nível SYSTEM.
  • Componentes Maliciosos: Downloader MISTPEN, backdoor Troy e rootkit FudModule v3.1.
  • Sistemas Alvo: Redes dos setores de defesa, aeroespacial, sensores e robótica.

Criptografia pós-quântica e técnicas de evasão avançadas

A análise detalhada da carga maliciosa revelou inovações significativas no tráfego de comando e controle (C2). O downloader MISTPEN utiliza a API do Microsoft Graph e serviços do OneDrive para camuflar suas conexões em meio ao tráfego legítimo de nuvem. No entanto, o que surpreendeu os pesquisadores foi a implementação de um aperto de mão que utiliza criptografia pós-quântica.

Antes de baixar o módulo de exploração da vulnerabilidade zero-day, o malware negocia chaves públicas através do algoritmo Kyber/ML-KEM, padrão estabelecido pelo NIST para resistir à computação quântica.

Esse canal seguro carrega uma camada adicional de criptografia GOST-CBC, garantindo a entrega do rootkit FudModule v3.1. Uma vez ativo no kernel, o rootkit neutraliza o NT Kernel Logger, desativa gatilhos de telemetria e cega até 94 provedores do Event Tracing for Windows (ETW), tornando o ataque invisível para a maioria das soluções de segurança.

Infraestrutura de retransmissão e o papel das organizações

Para evitar o rastreamento de suas infraestruturas originais, o grupo Lazarus não utiliza servidores C2 próprios diretos na fase inicial.

Em vez disso, a organização comprometeu dezenas de servidores de terceiros ao redor do mundo, explorando falhas conhecidas em sistemas como serviços de webmail Roundcube, e plataformas como WordPress e PrestaShop. Nesses locais, implantaram o RelayShell, um script PHP que funciona como um nó bidirecional de retransmissão.

Diante da gravidade, a Microsoft disponibilizou a correção para a falha CVE-2026-68820 na atualização de segurança da última terça-feira de patches. Órgãos internacionais de cibersegurança emitiram alertas urgentes para que empresas do setor estratégico apliquem os patches de correção de forma imediata.

Certamente, a combinação de engenharia social refinada com explorações de dia zero demonstra que a conscientização de colaboradores e a gestão rigorosa de vulnerabilidades permanecem como os pilares essenciais para a defesa cibernética.

Publicidade
Tecnologia demais. Tempo de menos.
Uma vez por semana, as notícias de segurança, IA e tecnologia que realmente merecem sua atenção. Direto no seu e-mail.
Ao se inscrever, você concorda em receber a newsletter do Tech Start XYZ. Você pode cancelar a inscrição a qualquer momento.

Felipe Ferraz

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.