Segurança

Spotify agora tem chat e acende alerta de segurança digital

O Spotify resolveu adicionar mais uma função à sua plataforma que já não é nada leve: agora, você pode enviar mensagens diretas para amigos. Isso mesmo o app de música, podcasts e audiolivros ganhou um mensageiro embutido. A novidade foi lançada nesta semana para usuários Free e Premium, maiores de 16 anos, e está disponível em mercados selecionados.

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Na teoria, a ideia parece ótima. Compartilhar aquela música sem sair do aplicativo, bater papo sobre o último episódio do seu podcast favorito ou mandar aquele achado da sessão “audiolivros”. Tudo isso, agora, direto no app.

Mas antes de entrar no clima de “rede social da música”, vale olhar o outro lado da partitura, sistemas de mensagem, por mais amigáveis que pareçam, são porta de entrada para uma velha conhecida da internet a insegurança.

Como funciona o novo chat do Spotify

A nova funcionalidade centraliza o compartilhamento de conteúdo em uma interface estilo chat. Esqueça os links no WhatsApp, DM no Instagram ou stories com música. Agora, ao ouvir uma faixa, basta tocar no botão de compartilhar, escolher um contato e pronto: mensagem enviada direto no Spotify.

Spotify lança chat direto no aplicativo.
Spotify lança chat direto no aplicativo.

Os contatos são sugeridos com base em interações anteriores. Isso inclui quem já compartilhou playlists com você, entrou em uma Jam, participou de um Blend ou está no seu plano Família ou Duo.

O chat suporta mensagens de texto, emojis e claro compartilhamento de mais conteúdo. Segundo o próprio Spotify, isso serve para:

  • Manter os usuários dentro do app, sem depender de redes sociais externas;
  • Estimular descobertas musicais mais “humanas”, baseadas em conversas reais;
  • Dar mais alcance para artistas, já que o conteúdo é promovido diretamente entre amigos.

Tudo muito bonito. Mas estamos em 2025, e qualquer ferramenta que permita troca de mensagens precisa vir com um manual de segurança debaixo do braço.

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O lado B: quando o chat vira risco

Apesar de todo o entusiasmo da empresa, especialistas em segurança cibernética acenderam o alerta. Chats embutidos são alvos óbvios para quem quer aplicar phishing, espalhar spam ou plantar links maliciosos disfarçados de playlists animadas.

A boa notícia é que o Spotify não ignorou o problema. A empresa afirma ter implementado várias camadas de proteção:

  • Criptografia em trânsito e em repouso: os dados das conversas são protegidos tanto durante o envio quanto enquanto armazenados nos servidores;
  • Detecção proativa de conteúdo nocivo: o sistema escaneia automaticamente mensagens suspeitas antes que o usuário sequer as veja;
  • Controles para o usuário: é possível bloquear contatos, recusar mensagens e até desabilitar completamente a função de chat;
  • Moderação humana: qualquer mensagem pode ser reportada para análise de moderadores reais — o que, convenhamos, é essencial em tempos de IA generativa.

Ainda assim, a especialista Dr. Priya Menon, que estuda privacidade digital, fez um alerta certeiro:

“A criptografia protege o canal, mas não o bom senso do usuário. Phishing e engenharia social ainda podem passar pelo portão principal o ser humano”.

Teste gradual, melhorias à vista

O Spotify está fazendo o lançamento em etapas. Isso permite não só testar o recurso com uma base reduzida de usuários, mas também calibrar os mecanismos de defesa com base em interações reais.

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A empresa promete que futuras atualizações vão trazer filtros de spam mais inteligentes, sandboxing de links (para evitar redirecionamentos maliciosos) e até controles parentais mais robustos especialmente para os usuários mais jovens.

Por enquanto, a função chega como um passo ousado em direção a uma plataforma ainda mais social, colocando o Spotify na disputa com mensageiros integrados de apps como Instagram e Telegram. Mas, diferente de uma nova playlist, essa estreia exige atenção redobrada.

E agora?

A funcionalidade é útil? Sim. Pode revolucionar a maneira como compartilhamos conteúdo musical? Talvez. Mas ela também representa mais uma superfície de ataque em um aplicativo que hoje está em milhões de celulares.

Fica a pergunta, você realmente precisa de mais um lugar para conversar ou prefere manter sua música longe das mensagens?

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Felipe F

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.