A tensão entre China e Estados Unidos subiu mais um degrau e quem está no meio do fogo cruzado agora é a Nvidia. O governo chinês ordenou que suas maiores empresas de tecnologia suspendam imediatamente as compras de chips de inteligência artificial da gigante americana. E não é só pra segurar pedido novo, não. É pra cancelar até o que já estava no carrinho.
A decisão partiu da Administração do Ciberespaço da China (CAC), que resolveu apertar o cerco e mandou recado direto pra nomes de peso como Alibaba, ByteDance, Baidu e companhia limitada: nada de RTX Pro 6000D. Esse chip foi criado especificamente para o mercado chinês, uma espécie de “meia medida” da Nvidia para continuar vendendo por lá sem violar as restrições de exportação dos EUA. Só que, aparentemente, não colou.
Proibido comprar, testar e pensar em usar
A nova diretriz foi mais rígida do que qualquer outra até agora. Nem mesmo o chip H20, alvo de restrições anteriores, tinha enfrentado tamanha ofensiva. Agora, é “parar tudo ou encarar as consequências”. Várias empresas já estavam testando o RTX Pro 6000D e preparando pedidos em larga escala. Tudo interrompido.
E o que motiva esse corte tão abrupto? Simples: autonomia tecnológica. Ou como diria Pequim, “reduzir a dependência de tecnologia americana”. Mas a cereja do bolo é que essa ordem veio dias depois da China acusar a Nvidia de práticas anticompetitivas por conta da compra da Mellanox Technologies em 2020. Ou seja, não é só sobre chips. É pessoal.
Guerra fria digital em plena ebulição
Enquanto diplomatas chineses e americanos tentam manter uma conversa civilizada em Madrid na teoria para fechar acordos econômicos, na prática, o embate é de titãs. A China sabe que a IA será um dos pilares da hegemonia global e não quer depender de ninguém para isso. Já os EUA fazem de tudo para limitar o avanço tecnológico de seu maior rival.
Proibir a Nvidia de vender seus chips mais avançados é parte da estratégia. Mas não é só bloqueio: é substituição ativa.
As apostas em casa: chips Made in China
Com o recuo forçado da Nvidia, o holofote se volta para os players locais. E quem está roubando a cena é a Cambricon Technologies, que acaba de registrar um salto meteórico nos lucros. Saiu de prejuízo de 533 milhões de yuans para um lucro de 1,03 bilhão no primeiro semestre de 2025. Um salto digno de IPO animado em Silicon Valley.
A receita da Cambricon explodiu quase 44 vezes, chegando a 2,9 bilhões de yuans. Coincidência? Nada disso. Grandes empresas chinesas estão se voltando com força para alternativas domésticas, especialmente após o empurrãozinho regulatório.
A Huawei também está nessa jogada, junto com outras empresas que antes eram apenas figurantes no roteiro da IA, mas agora têm chance real de protagonismo.
E a Nvidia? Vai sentir o golpe, sim
A Nvidia viu suas ações caírem 1% no pré-mercado depois da notícia. Pode parecer pouco, mas a China foi responsável por 13% da receita da empresa em 2024. E perder esse pedaço do bolo, mesmo que parcialmente, preocupa — ainda mais quando se trata de chips que já não estavam performando tão bem assim.
O RTX Pro 6000D nunca foi exatamente um superstar. Com desempenho questionável e preço salgado, ele já enfrentava resistência. Em muitos casos, as empresas optavam por chips no mercado cinza, com custo-benefício mais vantajoso.
O futuro? Menos dependência, mais polarização
O que estamos vendo é uma escalada clara da nova Guerra Fria tecnológica. Os Estados Unidos tentam segurar a dianteira no setor mais estratégico do século, enquanto a China responde com bloqueios, incentivos e substituições. A Nvidia vira peão nesse xadrez geopolítico um peão valiosíssimo, é bom lembrar.
Agora, com a China acelerando sua independência e as empresas locais demonstrando fôlego, o cenário muda de vez. A previsão é que a produção de chips de IA na China triplique em 2026, o que deve abalar ainda mais a dominância americana nesse setor.
E aí fica a pergunta…
Se a China consegue cortar uma gigante como a Nvidia da jogada, quem será o próximo alvo dessa corrida por soberania digital? E mais: será que o ocidente está preparado para competir com uma China 100% autônoma em IA?







