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Conheça o Bitchat, o app de mensagens “offline” que desafia o WhatsApp

Imagina um mundo onde você pode mandar mensagem mesmo quando o sinal da operadora despencou ou a conexão foi cortada. Pois foi isso que Jack Dorsey sim, o cofundador do Twitter, atual X botou na mesa com o Bitchat: um app de mensagens que não depende de internet, número de telefone, e‑mail ou servidores centrais.

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Bom, vamos lá o Bitchat nasceu como experimento pessoal de fim de semana. Dorsey usou o TestFlight para liberar uma versão beta na última domingo, 6 de julho de 2025, com o white paper disponível no GitHub. Segundo ele, era um jeito de aprender na prática sobre redes mesh Bluetooth, relays, modelo store‑and‑forward e criptografia de mensagens.

O resultado? Um app que cria uma teia de dispositivos próximos conectados via Bluetooth. Usuário A encontra B, B encontra C, e assim as mensagens podem pular de aparelho em aparelho. Sem internet, sem celular, sem e‑mail. O conteúdo é armazenado apenas nos dispositivos envolvidos, apagado automaticamente, e nunca passa por servidor central exatamente como a gente sonha em privacidade e descentralização.

Aqui está o que o Bitchat oferece hoje:

  • Conversas temporárias e criptografadas entre usuários próximos;
  • Grupos com hashtags e protegidos por senha, sem criação de conta ou identificadores;
  • Armazenamento local das mensagens com repasse para quem estava offline;
  • E, em breve, integração com Wi‑Fi Direct, para ampliar alcance e velocidade de conexão.

Ou seja, esqueça WhatsApp, Messenger ou qualquer aplicativo tradicional que dependa de servidores. Bitchat opera no modelo ponto a ponto puro. Se você valoriza privacidade e comunicação resiliente, essa abordagem faz sentido.

Você pode estar se perguntando, onde isso se aplica? Ambientes em que o Bitchat já faz sentido prático são protestos com bloqueio de sinal, apagões regionais ou países com forte censura. É ali que apps como o Bitchat semelhando os usados em Hong Kong em 2019 brilham, permitindo conexão mesmo quando o sistema quer te calar.

Dorsey já vinha apoiando movimentos descentralizados, desde o Damus até o Bluesky. O Bitchat encaixa nessa visão mais ampla aplicar descentralização não só para redes sociais, mas também para comunicação direta. É menos sobre substituir o WhatsApp e mais sobre abrir uma opção alternativa, mais resistente, menos controlada por operadoras ou governos.

E atenção caros leitores(a), ele não coleta dados de usuário. Nada de e‑mail, número ou identificadores. O app funciona sem login, nada de rastreamento, nada de metadados armazenados além do básico necessário para o envio temporário.

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Claro que há limitações, alcance depende de proximidade Bluetooth (ou futuramente Wi‑Fi Direct), e ainda está em versão beta com capacidade limitada de retomar mensagens em longas cadeias de relays. Mas como está no white paper do Bitchat, é uma experiência técnica que pode evoluir e funcionar até quando a rede falha.

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Felipe F

Profissional de tecnologia com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Segurança da Informação. Atua na área de infraestrutura e segurança, escrevendo sobre ameaças cibernéticas, Linux e segurança digital.