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O Talibã cortou a fibra ótica para “evitar imoralidade”

Imagine acordar um dia, ligar seu computador para trabalhar, estudar ou apenas assistir a um vídeo no YouTube e descobrir que sua internet de fibra ótica foi simplesmente banida… pelo governo. Parece ficção científica distópica, mas é exatamente o que aconteceu na província de Balkh, no norte do Afeganistão.

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Sim, você leu certo. O Talibã, que assumiu o controle do país em agosto de 2021, decidiu que a internet rápida demais é uma ameaça à moralidade. E aí veio a ordem: cortar a fibra ótica, sem choro nem vela. Wi-Fi? Esquece. Só sobra a boa e velha (e caríssima) conexão móvel, que funciona quando quer e olha lá.

“É para evitar a imoralidade”, diz o Talibã

Hibatullah Akhundzada, o líder supremo da vez, decretou o corte total da internet via cabo na região. O porta-voz do governo local, Haji Attaullah Zaid, disse que a decisão tem o nobre objetivo de… “evitar a imoralidade”.

Imoralidade, no caso, é um conceito tão flexível quanto o sinal 3G em Mazar-e-Sharif, a capital da província. Não foi explicado o que, exatamente, está sendo evitado.

Nem uma palavra sobre por que Balkh foi escolhida como cobaia digital ou se o bloqueio vai se espalhar para outras regiões. Spoiler: provavelmente sim.

A desculpa técnica e a realidade de quem vive lá

Um morador local, que obviamente preferiu não se identificar porque, né, o Talibã não é exatamente conhecido por lidar bem com críticas disse que achava que era uma falha técnica. Ligou pro provedor, ouviu que “estavam resolvendo”, e só depois entendeu que o problema era bem mais profundo: um decreto estatal para cortar o acesso.

Ele trabalha com clientes internacionais e depende da internet rápida para sobreviver. Agora, cogita se mudar de província. Porque sem conexão, sem negócio. E, sem negócio, sem renda. Uma equação simples que o Talibã parece ignorar completamente.

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Censura, repressão e o medo do progresso

A internet sempre foi uma ameaça para regimes autoritários. A informação circula, as pessoas se conectam, compartilham ideias, protestam, organizam. Tudo que governos como o Talibã mais temem.

Mas cortar a fibra ótica de uma região inteira é um passo além. É como se dissessem: “Se não podemos controlar o que você vê, então você não verá nada”. Simples, cruel e eficaz.

O mais irônico é que a conexão móvel segue funcionando. Talvez porque seja mais fácil de monitorar. Talvez porque seja lenta e limitada, tornando qualquer tentativa de “imoralidade online” quase impossível. Ou talvez, só talvez, porque cortar tudo de vez geraria revolta demais. A censura também sabe ser estratégica.

O impacto no dia a dia das pessoas

Para a população de Balkh, a vida digital virou um pesadelo. Estudantes sem acesso a aulas online. Profissionais impossibilitados de trabalhar. Pequenos negócios desconectados do mundo. Imagine um hospital sem internet, uma universidade isolada, ou uma startup afegã tentando participar de um pitch com conexão móvel oscilando.

Agora pense em como essa decisão, tomada em nome de uma moralidade questionável, sabota o desenvolvimento de uma região inteira. Educação, saúde, economia, cultura: tudo se perde num clique — ou melhor, na ausência dele.

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Mas, e a tal “alternativa interna”?

O porta-voz do governo mencionou que “uma alternativa será construída no país para atender às necessidades”. Algo como uma intranet afegã moralmente aprovada, talvez? Uma versão própria da internet com controle total de conteúdo, aprovada pelo comitê da moralidade?

Nada foi detalhado. E é aí que mora o perigo. Quando a censura se torna sistemática e os canais de comunicação são substituídos por versões governamentais, o resultado é uma população completamente controlada, desconectada da realidade global e presa a uma narrativa única.

Censura digital é só o começo

Cortar a internet não é só sobre tecnologia. É sobre controle. É sobre medo da liberdade. E é sobre um governo que, em pleno século XXI, acha que isolar as pessoas do mundo é solução para problemas sociais.

No final das contas, a pergunta que fica meus caros leitores(a) é: até quando o Talibã vai conseguir segurar esse tipo de repressão sem gerar uma resposta massiva da população? E mais o que acontece quando outras províncias também forem desconectadas? Deixe seu comentário.

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Fonte
Euronews

Equipe Tech Start XYZ

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