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Amazon fecha acordo de IA com New York Times

Eis uma ironia digna de roteiro de série sobre política e tecnologia: o New York Times, bastião do jornalismo tradicional, que há meses processa a OpenAI e a Microsoft por uso não autorizado de seus conteúdos editoriais, agora decidiu fazer negócio com a Amazon para exatamente o mesmo fim. Sim, isso mesmo. O jornal fechou um acordo para que seus artigos alimentem os modelos de inteligência artificial da gigante de Jeff Bezos. Vai vendo.

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Na nota interna que anunciou o acordo, a CEO do Times, Meredith Kopit Levien, disse que o movimento está alinhado com o princípio de que “jornalismo de alta qualidade merece ser pago”.

Uma reviravolta de dar inveja a roteirista

Enquanto a Amazon ainda tateava no escuro para correr atrás dos rivais no mundo dos modelos de linguagem, o NYT aproveitou a deixa para negociar seus artigos, receitas e até a cobertura esportiva do The Athletic. Tudo isso vai integrar os sistemas da Amazon, como a Alexa e futuros produtos de IA generativa.

Os valores do acordo não foram divulgados, claro. Mas considerando que é o primeiro contrato desse tipo assinado pela Amazon, dá pra imaginar que o cheque foi generoso. E por mais contraditório que pareça, o NYT pode ter feito um movimento estratégico brilhante.

Porque o jogo aqui não é só sobre princípios. É sobre criar precedente.

Quem paga, leva. Quem não paga, processa

É aqui que a história começa a fazer sentido. Ao licenciar seu conteúdo para a Amazon, o NYT estabelece uma base real de valor de mercado para seus dados. E isso fortalece o argumento no processo contra OpenAI e Microsoft, que usaram material sem permissão. Em vez de “isso é errado”, o argumento passa a ser “isso tem preço, e vocês não pagaram”.

É um pouco como ser contra pirataria, mas vender o DVD oficial na banca do lado. O produto é o mesmo. A diferença é quem está pagando a conta. E o que antes era uma discussão moral, agora se resume a uma questão de negociação.

O dilema dos publishers na era da IA

Esse acordo escancara o que muitos veículos de mídia já vinham sussurrando nos bastidores, resistir à IA não é mais viável. A real escolha é entre licenciar seus conteúdos com remuneração justa ou ver sua produção virar dataset pirata nos bastidores das big techs.

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Ou seja, não se trata de aceitar ou rejeitar. Trata-se de negociar o melhor possível antes que seja tarde. Alguns, como o Guardian, o Washington Post e a NewsCorp, já seguiram esse caminho com a OpenAI. Outros ainda resistem, por enquanto.

O futuro do jornalismo está à venda. Literalmente

No fim das contas, o caso NYT vs OpenAI vs Amazon revela uma verdade desconfortável para todos os criadores de conteúdo: seus dados, textos e imagens já estão na festa. A diferença é se você está no camarote com contrato assinado ou pulando a janela do fundo tentando barrar o segurança.

A Amazon chegou atrasada, mas entrou pela porta da frente. A OpenAI entrou pela cozinha e agora vai ter que pagar o couvert. E o New York Times? Parece ter percebido que a melhor forma de manter a relevância no século XXI é sentar à mesa e negociar o cardápio.

A pergunta que fica, estamos prontos para viver num mundo onde o valor da informação não é mais sobre verdade, mas sobre quem paga para usá-la? E você, venderia seu conteúdo para uma IA? Ou preferiria processar e esperar o acordo?

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