Você já parou pra pensar o que aconteceria se o seu sistema caísse agora? Perderia vendas? Dados de clientes? O controle do financeiro? A verdade é que poucas empresas estão preparadas para essa pergunta. Menos ainda sabem o que são RPO e RTO e pior: acham que isso é coisa de TI.
Spoiler: não é. Se você tem um negócio, presta serviço ou depende de dados pra operar, essas duas siglas dizem respeito diretamente à sua sobrevivência.
Antes de mais nada: sim, desastres acontecem
Quando falamos de desastres digitais, muita gente imagina coisas grandiosas: ransomware travando tudo, hackers invadindo sistemas, servidores pegando fogo. Mas a realidade é bem mais banal e mais frequente.
Um simples erro humano, uma atualização mal feita ou até uma falha elétrica podem colocar seu sistema no chão. A pergunta que interessa não é “se vai acontecer”, mas sim: o que você vai fazer quando acontecer?
É aí que entram os protagonistas do nosso drama: o tal do RPO e do RTO.
RTO: quanto tempo você pode ficar offline?
RTO é a sigla para Recovery Time Objective ou, em bom português, o tempo máximo aceitável para recuperar o sistema após uma falha.
Pensa assim: seu sistema caiu agora. Em quanto tempo ele precisa estar de volta antes que a coisa fique feia de verdade?
Se você tem um e-commerce, talvez sua margem de tolerância seja de 30 minutos. Já uma empresa de contabilidade pode aguentar algumas horas sem grandes danos. Agora, imagine um hospital com sistemas médicos fora do ar… o RTO deles é praticamente zero.
Quanto menor o RTO, mais robusta precisa ser sua infraestrutura de recuperação. E adivinha? Isso custa mais caro. Mas também evita prejuízos que fariam esse custo parecer troco de padaria.
RPO: quanto de dado você pode perder?
RPO, por sua vez, significa Recovery Point Objective. Ele define o ponto no tempo a partir do qual seus dados podem ser recuperados. Traduzindo: qual é o máximo de informações que você pode perder sem quebrar?
Se o backup mais recente foi feito ontem às 23h e o sistema caiu hoje às 14h, você perdeu 15 horas de dados. Seu RPO era aceitável para isso? Porque se não era, você está num baita problema.
Empresas que lidam com transações financeiras ou cadastros em tempo real precisam de RPOs curtíssimos às vezes medidos em minutos. Já outros negócios podem viver bem com RPOs de algumas horas.
RPO e RTO: um casamento que define sua estratégia
Esses dois indicadores andam juntos. Um sem o outro é como cofre sem senha.
Um RTO de 2 horas com um RPO de 24 horas significa que você até volta rápido… mas volta no tempo, com dados do dia anterior. Já um RPO de 5 minutos com RTO de 12 horas indica que seus dados estão quase intactos mas você não consegue acessá-los antes do fim do expediente.
Definir RPO e RTO exige equilíbrio, análise de risco e, principalmente, conhecimento profundo do seu negócio.
E como você define isso?
Simples: mapeando impacto. Comece se perguntando:
- Quanto tempo posso ficar fora do ar antes de perder cliente, dinheiro ou reputação?
- Quantos dados posso perder sem comprometer a operação?
- Quanto custa parar por X tempo?
- Quanto estou disposto a investir para não parar?
A partir disso, você começa a montar seu plano de continuidade de negócios com backups, redundância, plano de resposta a incidentes e testes periódicos.
Não é papo de TI, é papo de sobrevivência
Ignorar RPO e RTO é viver no modo YOLO (you only live once) ou no bom português (“só se vive uma vez”). E isso não é estratégia, é roleta russa digital.
Mesmo empresas pequenas talvez principalmente elas precisam entender esses conceitos. Porque quando a grana é curta, não dá pra sair comprando soluções mirabolantes. É preciso saber onde investir pra não ficar à mercê da sorte.
RPO e RTO são mais do que termos técnicos: são medidores de risco. São os números que dizem quanta dor de cabeça você está disposto a aguentar quando a tecnologia falhar (e ela vai falhar).
Então, a pergunta não é se você conhece esses termos, mas se você já definiu seus RPO e RTO?







